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Refletir: “E se não
houver uma solução para os problemas de nossas vidas pela simples
razão de que não existe um
problema?”
Hora marcada, o
cliente havia chego ao local pelo menos 30 minutos antecipadamente,
isso demonstrava claramente a sua ansiedade.
Ao entrar na sala, após
a anamnese, ela descreveu uma enxurrada de problemas de
relacionamento, o marido estava ausente e ela não sabia como pegar as
rédeas de sua vida.
Paramos e respiramos um
pouco, pode parecer simples demais, porém a respiração é um
processo de higienização mental, após algumas reflexões, fui
realizando uma etapa de perguntas e respostas, as perguntas certas é
que trazem os grandes resultados, após um tempo desse bate papo começamos
por encaixar as peças, na verdade, a sua mente estava completamente
embaralhada, devido a insegurança, ao medo e a ansiedade, muita coisa
veio á tona e esta paciente estava completamente perdida, mas pouco a
pouco fomos encaixando peça por peça deste quebra-cabeça que
chamamos de vida.
Quando começamos
parecia que sua vida estava completamente errada, só havia
sofrimento, dor, decisões erradas, mas acalmando-a e refletindo sem
ilusões foi então possível aos poucos observar claramente que tudo
se encaixava, é como se começássemos a reconstituir seus passos,
sua jornada, no fim foi interessante perceber que não havia solução
para nada, pois na verdade não havia problemas, a vida se dirigiu em
uma seqüência exata de acontecimentos que era parte fundamental de
seu amadurecimento, afinal o paciente teve consciência de que cada
passo, cada ação teve o seu resultado, devido as suas escolhas, e
por mais que tentássemos ver que as escolhas foram erradas não havia
como, pois tanto um caminho ou outro levava a uma forma de
aprendizado.
A grande questão no
momento era digerir tudo isso e aceitar as conseqüências, inclusive
a palavra aceitar tem uma conotação mais poderosa quando eu a uso,
pois para mim aceitação significa entendimento, sendo assim
trabalhamos algumas outras sessões, despertamos pouco a pouco as suas
potencialidades, afastamos o medo e a ansiedade, focalizamos no
ressentimento e o bálsamo do perdão, estávamos curando a sua alma.
Nesse período pude
observar que muitos dos nossos problemas não tem soluções, pois os
problemas não existem, existe sim uma resistência em entender ou
aceitar, existe uma resistência em mudar algumas coisas na vida para
que possamos seguir o fluxo e continuar.
Um dia desses cheguei
no consultório e havia uma senhora com seus mais ou menos 70 anos,
totalmente sem cabelos, sentei-me ao lado dela e ela me contou sobre o
seu câncer, naquele momento ela me disse algo que me surpreendeu, ela
simplesmente falou: Se não fosse o câncer ela continuaria sendo
aquela mulher supervaidosa que esquece a profundidade da vida, que o câncer
mostrou para ela que nós dependemos uns dos outros, que o orgulho não
vale de nada .
Finalizou dizendo : - O
câncer não é uma doença, é um remédio amargo que eu tive de
usar.
Nunca esquecerei essas
palavras , para ela aceitar e seguir adiante aprendendo, era mais
profundo do que parar e reclamar ou se lamentar pelas lições que nós
mesmos colocamos diante de nós.
Dr. Paulo
Valzacchi
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