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Uma das experiências
mais comuns no exercício da terapia é a de ouvir as perdas e as
decepções.
O sofrimento produzido por brigas e desentendimentos
nos relacionamentos é tão comum e tão doloroso que tem realmente o
poder de estremecer o ser humano.
É um peso tremendo para ser carregado por uma pessoa
no qual temos que faze-lo encontrar o remédio amargo que curará as
suas feridas.
Em um de meus cursos pudemos explorar nossas atitudes
em relação à perda e descobrimos um painel de tristeza guardado ou
melhor escondido dentro de nós.
No final de um desses cursos uma das alunas
levantou-se e contou a todos nós como negou a sua tristeza por tanto
tempo, o que chamamos de processo de embotamento,como se abarrotou de
livros de auto-ajuda, de mecanismos que a tirasse do poço, mas que na
verdade tudo isso era paliativo pois ela continuava completamente
decepcionada, rancorosa, amargurada e triste , ela nos disse sobre o
seu medo de lidar com a tristeza, de não entende-la, e aprendeu em
nosso curso que externar as emoções e os sentimentos, compartilhar
com os outros, desbloquear-se para poder realmente viver, era um método
mais perto para a sua libertação.
Geralmente procuramos fora aquilo que precisamos
fazer dentro, dentro de nós.
Em muitos desses cursos aplicamos uma técnica
especial que permite com que a pessoa veja a diferença das coisas que
realmente tem valor na vida e isso mexe profundamente com as suas mais
profundas emoções e seus conceitos preciosos.
Ás vezes proteger-se da perda em vez de sofrer e
curar a tristeza é uma das principais causas de inúmeras doenças físicas
e psicológicas que carregaremos como fruto de não sabermos como
lidar com essas decepções.
Dar vazão a tristeza é primordial para nossa cura,
senão esses mecanismos se repetem e de uma vez por todas nos tornamos
fechados, insensíveis e não mais nos importamos, nem com a vida, nem
conosco, perdemos o amor-próprio.
A literatura nos trás alguns fatores que podem levar
a cura desse processo: coisas como exercícios, brincadeiras, libertação
das ilusões, mas segundo o que presencio, o mais importante é dar
vazão a tristeza através da comunicação, é sentar-se e contar a
alguém as suas dores emocionais, infelizmente nós profissionais
dessa área não podemos chorar, mas seria um passo fundamental para
dizer que entendemos seu sofrimento.
Sentir a tristeza é mostrar mais adiante que somos
capazes de amar e seguir em frente.
Portanto se você esta com aquela dificuldade em
libertar-se de sua tristeza, sente-se com alguém, com alguém que
saiba primeiramente ouvir, alguém que possa compartilhar com você
suas experiências, dê vazão a tudo que a sufoca e aos poucos
permita-se buscar o entendimento para livrar-se de suas dores.
Nós que ouvimos o sofrimento em nosso dia-a-dia não
temos soluções instantâneas, e começamos a entender que afinal a
dor é inevitável, mas o sofrimento em sua maioria das vezes pode ser
opcional.
Liberte-se definitivamente, solte-se, busque trazer
à tona tudo aquilo que você esqueceu de cultivar, toda aquela sua
capacidade criadora de ser feliz, de expandir-se, de dizer ao mundo
que você tem o seu espaço e o seu papel fundamental entre todos nós
e semeie tudo isso, pois em um futuro breve você estará colhendo
frutos essenciais para a sua felicidade.
Fazemos votos de êxito em sua jornada.
Dr. Paulo
Valzacchi
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